Pop (corn) art

Créditos: Robinson Machado
Mais imagens em: http://www.picasaweb.google.com/robinsonmachado
Escrito por Robinson Machado às 12h16
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"Sobre o Spam" ou "repúdio à típica comunicação dos idiotas"
Não, não quero receber um e-mail seu sobre uma fotografia curiosa ou engraçada, a menos que a imagem seja de uma situação em que estivemos juntos, por exemplo. Muito menos, quero slides sobre a felicidade, sob o enfoque de sei lá o quê – nem quero saber o porquê – com gente rindo, montanhas, lagos e patos. Estou farto. O tempo é precioso demais para idiotice em excesso.
Não exercitarei minha solidariedade encaminhando para dezenas de pessoas mensagens sobre supostas crianças que precisam de amparo médico. Não enviarei uma oração para 10 da minha lista, nem um pensamento otimista. Entenda. Você não sabe falar sobre política para promover campanhas demagógicas por meio de mensagens eletrônicas; não tente me enviar. Sua hipocrisia, a priori, está inserida na média; então, não me venha criticar os absurdos do mundo com um texto que não é seu, uma indignação que você não criou. Viral mesmo é a ignorância.
O interesse que tenho por uma piada, ou por um texto criativo, que tenha humor, que tenha crítica e que, vá lá, tenha até mesmo alguma profundidade, busco de variadas formas. Não quero usar minha caixa de entrada para isso, já que ela serve para o trabalho e interação com amigos próximos, entre os outros que de vez em quando tento me aproximar, por saudade, carinho e respeito.
Respeito é o que falta; talvez um pouco de senso do ridículo, talvez alguma inteligência na pessoa que se dá ao trabalho de receber lixo nas mãos, ou na tal da tela, e espalhar por aí, encaminhando falta do que fazer.
Não me envie spam, ok? Acho que deu para entender...
Envie algo a partir de um contexto entre nós, um tema em comum, uma conversa prévia, uma razão – e que apenas o meu nome figure na sua mensagem. Diferente disso, não vou ler. Vou apenas desejar que, num dia desses, você abra um vírus que destrua seu computador, que queime, sei lá, sua televisão, que danifique até seu forno microondas (por que, ora, você só pode fazer isso de casa, para compensar o tédio. Se estiver no trabalho, desejo sua demissão)
Há algum tempo, ouvi falar de algo chamado “netiqueta”. Procure saber algo sobre isso, o mundo agradece. Tente dirigir seus esforços para assimilar cultura e não disseminar futilidades.
Escrito por Robinson Machado às 09h42
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Auto-retrato

Brasil, São Paulo; Brigadeiro Luis Antônio, 21:00 horas
Escrito por Robinson Machado às 16h31
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Temas
Um ponto de ônibus nas ruínas de um míssil sem pátria. Um ônibus-míssil sem destino algum, com bancos cobertos de toalhas xadrez. Ela seguiu sem rumo, com placenta sob as unhas, depois do parto de uma desconhecida que aguardava o mesmo ônibus. Foi num cano estourado o banho do bebê. O outro, gêmeo, não resistiu à água fria. Sentiu febre, aquele sinal otimista de que o corpo reage ao hediondo, até onde não se imagina. A explosão quebrou as vidraças do coletivo. Alguém disse que o último som registrado pelos ouvidos do motorista foi a voz de alguém que o veículo atropelou, que gritava o fim do mundo na forma de algo que caía do céu. Muros retorcidos, um asfalto áspero como pipoca, a viagem seguia. Numa esquina, um desabrigado entre escombros perdeu o ar com a própria risada – no colo, seu cão ensangüentado e uma carta semi-queimada. Semi-chuva ácida entra pelas frestas, como cerejas arremessadas num palco vazio. Ela tentava se lembrar dos primeiros acordes de sua música favorita, uma do Sinatra, que ela ouviu em um dos discos da coleção incompleta de um avô, o condutor do ônibus.
Escrito por Robinson Machado às 17h04
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Apnéia
O reflexo na retina permaneceu até onde o sal daquela água clara permitiu que ela ainda olhasse. Apnéia de ocasião, talvez por conta do arder do meio-dia; talvez pra se esconder do ar e lhe mandar pistas em bolhas apressadas. Queria fazer parte daquele azul e ali encher de paz os pulmões e encher a boca pra falar. Um céu-oceano onde todo horizonte fosse praia e todo barco fosse uma pequena esperança. Pequena, mas daquelas que jogam a rede por instinto e arrancam do fundo com certezas, experiência e estrelas do mar. Ela precisa respirar.
Escrito por Robinson Machado às 16h27
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