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      Robinson Machado, 27, paulistano, é jornalista e artista plástico. Publica no blog fragmentos literários e arte visual

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    Jornalista plástico
     




    Escrito por Robinson Machado às 14h43
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    Momento American Splendor

                Toda palavra que representa alguma coisa, quando analisada, soa algo estranha. Bastam alguns segundos de reflexão e um nome perde todo seu sentido e sua capacidade incontestável de combinar com o que ela nomeia.

    Não sei ao certo quando o nome Robinson pareceu não me pertencer. Do hábito infantil de rabiscá-lo em mesas e paredes à obrigação de escrevê-lo acompanhado de um sobrenome com capricho no alto de cada prova, pude não ser convencido de que este título me representa. Não há como negar que, pela força do hábito, do atender ao ser chamado, do responder ao ser questionado, do me apresentar, do ser apresentado e tudo mais que exige vincular ao meu rosto nome e sobrenomes, sou esta alcunha e fica assim combinado. Tudo bem se tenho três sobrenomes, na verdade; a origem de palavras superam os pais e o cartório no quesito “de quem foi a idéia de chamar o menino disso?”. Que seja.

    O incômodo estaria parcialmente resolvido se houvesse alguma exclusividade, tão comum aos nomes diferenciados, daqueles que unem as primeiras sílabas do pai com as da mãe. Ora, Cleidisleines, Lindobertos e Claudisjanas não sofrem crises de identidade nem por apelido. O fato é que há tempos percebi a existência de homônimos na rede.

    Quem são eles?

    De onde eles vêm?

    O que fazem?

    Do que gostam?

    Como é para eles ser Robinson Machado?

    O que levou estes pais a esta ruim combinação é uma questão importante. Nunca houve um famoso chamado assim, nem com “b” mudo, cego ou surdo. Um ator, um cantor, um filho da puta qualquer que tivesse feito algo notável ou popular. Fico contente, pois de vinte e um que existem no Orkut, certamente haveria dois mil e cem, dois milhões, vai saber.

    Preferi não explorar a vida de todos os vinte e um. Vinte e dois comigo, vale dizer. A vida deles está lá e em uma olhada superficial, não gostei do que vi. O Robinson Machado, de Salvador, para dizer “quem sou”, grafa: sou maravilhoso. Com diversos “o” após a última letra. Meu xará da cidade de Vassouras diz ser um “cara estrovertido, legal, 100% do bem, gosto de diversão e arte.... (sic)”. Outro, daqui de São Paulo, anuncia em caixa alta que “eu sou eu, hahaha”. Uma das comunidades que ele participa é “A tia Isolina é Show.” Nenhuma coincidência, apenas o invejo de ter uma boa relação com uma tia, principalmente com uma tia chamada Isolina. Teria ela homônimos? Saberia ela pronunciar a palavra homônimo? Toda palavra que representa alguma coisa, quando analisada, soa algo estranha.

    O oráculo Google, que poderia me dar respostas, aumentou a angústia, ao responder em parte sobre quem são, no que trabalham, o que fazem. Constatação número um: o Robinson Machado mais famoso parece ser o mais idiota. Talvez mais que eu, por mais que isso pareça difícil. Poderia escrever dúzias de parágrafos sobre quão imbecil ele é, mas sintetizo na seguinte constatação. Ele é um lutador profissional de jiu-jitso.

    Há médicos, estudantes, um cara que foi processado, um cara de Caracas, um enxadrista, um professor e um barman uruguaio. O que sobra fala de mim. Há até um jornalista como eu, que também é publicitário e escritor.   

    Quanto dessa gente há em mim?

    O que este nome bifurcou em nossas vidas a ponto de convergir em características ou atividades comuns?

    Certamente, este é o texto que mais incluí pontos de interrogação - prática que evito, pois torna ruim a dinâmica, em geral. Se há tantas perguntas, não há conteúdo suficiente para expressar alguma idéia. E este é o caso, cremos nós, os RM de plantão. Então, tentarei deixar esta já extensa pensata mais interessante, com base na mistura literária de cada um dos meus homônimos ou parte deles, subtraindo minha voz, já que já falei bastante sobre isso. Se algum Robinson Machado estiver lendo isso até aqui (o que duvido, nenhum Robinson Machado médio leria um texto tão longo), qualquer coincidência terá sido causada pela similaridade de nossas graças. Vamos lá.  

    Sou maravilhosooooo e, por isso, mereço ser exclusivo!!!!! Onde já se viu, existirem outros Robinsons no mundooooo?????? Mas olha derepente esses cara tudo ae é estrovertido que nem eu né não!!!!..... Se não for, eu sou eu, eu sou o cara e é nóis hahahaha é mocidade alegreee minha gente hahahaha! Mas eu queria pegar um por um desses filhos da puta no tatame, ta ligado? Ia prender cada um desses caras contra meu corpo, imobilizá-los e misturar meu suor com cada um deles. É por isso que passo horas me esfregando com meus amigos fortes e de orelha de couve-flor. No fundo, bem no fundo mesmo, meu negócio é o contato. Pero no mucho; a mi me gusta el nombre. No hay por ca nadie así. No geral, vou estar entrando com um processo contra meus homônimos, pois vou estar registrando meu nome como marca, não permitindo que utilizem de forma indevida esta alcunha, pois estará se configurando como falsidade ideológica.   

    Por esta, nem Harvey Pekar poderia prever.



    Escrito por Robinson Machado às 12h19
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